Skincare na igreja em Kalasin

Parceria com igreja nativa para usar skincare como forma de serviço às mulheres, para gerar consciência de autovalor e construir pontes de relacionamentos entre a igreja e as mulheres da comunidade.

A obra de Deus é feita em equipe

O Senhor Deus é quem montou a equipe necessária para que o evento em Kalasin acontecesse. Tanto as irmãs do Brasil que ofertaram para custear as despesas, como a Singharaja Church, a igreja em Kalasin que abriu as portas para sediar o evento, mobilizar as mulheres e dar continuidade ao acompanhamento delas após o evento.

Cuidado levado à sério

O ambiente bem decorado, profissional, limpíssimo, com música relaxante e sala climatizada fez as irmãs sentirem-se especiais. Elas perceberam que houve um interesse real em cuidar delas. Não é porque foi oferecido de graça que foi feito de qualquer jeito. Elas receberam um tratamento de luxo que nunca tiveram acesso antes.

Pontes construídas

Cada sessão durava de 50min. a uma hora. Algumas clientes gostavam de falar durante o skincare, outras preferiam relaxar em silêncio, e teve até quem dormiu de roncar. Ao meu lado sempre tinha uma irmã da igreja à disposição para quem quisesse conversar. O que já tenho da língua só é suficiente para dar instruções, “feche os olhos… aguarde três minutos… você está confortável?” etc.

Porém, ao final da sessão, todas iam direto para o sofazinho sentar e bater papo. E foi quando algo muito incomum (segundo elas próprias me disseram) aconteceu: elas sentavam e começam a abrir o coração. Falar das suas aflições e dificuldades. Os problemas que estão enfrentando. Várias choraram.

Na cultura brasileira isso é muito comum. É tocante, mas não é surpresa. A cultura latina tem facilidade de expor as emoções para um estranho. Manicure, cabeleireira, massagistas… profissionais de estética sabem muito da vida de suas clientes.

Mas isso não é comum na cultura asiática. Os tailandeses, em geral são tímidos e a cultura preza por uma postura discreta e reservada. Não é de bom tom mostrar vulnerabilidade e permitir que o outro saiba que você está sofrendo. E não é orgulho, pelo contrário. Segundo me explicaram, eles sabem que todo mundo está enfrentando algo, então não querem colocar mais um peso sobre a outra pessoa, por isso guardam tudo para si.

O ambiente de cuidado gratuito e desinteressado criou um ambiente que o Espírito Santo usou para tocar almas. Nas conversas após os atendimentos, essas mulheres sentiam que podiam desabafar. Encontraram na igreja um lugar seguro. Viram nas irmãs acolhimento. Algo que nem o budismo e nem o animismo podem dar a elas: consolo para suas almas. As irmãs oraram com elas e continuarão a manter os relacionamentos. Eu não tenho foto desses momentos de intimidade, pois seria uma tragédia interromper a discrição do compartilhamento para fazer um registro histórico/fotográfico. Iria arruinar a sensação de segurança que aquelas mulheres encontraram. Mas eis alguns registros após as conversas, logo antes de irem embora:

Muitas irmãs da igreja levaram amigas ou parentes não crentes para receberem esse cuidado. Mulheres que ainda não tinham aceitado os convites para irem à igreja, descobriram essa semana que a igreja é um ambiente agradável, de pessoas acolhedoras, onde elas sentem-se seguras e cuidadas. Isso é um passo gigante. Porém, é só o primeiro passo.

A igreja tem agora a responsabilidade de cultivar esses relacionamentos e zelar para que as pontes não sejam rompidas. Elas precisam das nossas orações por sabedoria, ousadia, poder e perseverança. É bem mais desafiador essa semeadura num contexto em que o cristianismo é uma minoria irrisória, e que a religião predominante é tão arraigada na cultura.

Repartindo o pão

Depois de ver quantas portas algo simples como skincare abriu para a igreja desenvolver relacionamento com mulheres da região, “senti no coração” (como diria a nossa querida irmã Josi) de deixar o mobiliário e metade dos cosméticos para a igreja.

Foi tanto um encorajamento para continuarem a expressar o cuidado de Deus por meio desse cuidadinho de beleza, como uma promessa de que, sempre que possível, conforme o Senhor permitir, voltarei à igreja para repetirmos a dose.

Eu já tinha comprado uma outra cama SPA que uso aqui em casa com as meninas do prédio. Entendi naquele momento que isso era a vontade de Deus e alegraria as irmãs – e de fato, ficaram alegres e gratas.

Eu treinei a PiiOum, esposa do pastor, para realizar uma rotina simples de skincare nas irmãs, para diferentes tipos de peles. Ela fez um vídeo da aula para lembrar de tudo depois, e treinou as técnicas no maridão, o pastor da igreja. Foi uma alegria e passamos o dia elogiando a pele do pastor, hahaha!

Festa de encerramento

Essa é a PiiOum. Ela tem uma personalidade ativa, ágil, prática e amorosa. Ela é daquelas mulheres que faz mil coisas ao mesmo tempo, sem perder a calma e nem a graça. Sempre com um sorriso no rosto, ótimo senso de humor e disposição para servir.

Ela consegue pensar em todos os detalhes e resolver qualquer imprevisto. Ela é encorajadora e tem sempre uma mensagem positiva diante do sofrimento. Tudo ora, tudo cuida, e em todo o tempo serve.

Foi um privilégio para mim vê-la em ação. Quantas virtudes juntas numa pequena pessoa de 1,60mt e menos de 50kg, mãe de dois adolescentes, esposa atenciosa e ajudadora.

Moqueca, dança e ministração

A pedido da igreja, preparei um jantar brasileiro para encerrar o evento. Escolhi a moqueca baiana, porque todos os ingredientes fazem parte da cultura local, e eles amam peixe. Logo, a probabilidade de agradar era alta. E deu certo. Elas amaram, repetiram e fizeram marmitinhas para levar para casa.

O peixe usado foi tilápia.
Não sou habilidosa com coreografias, mas nos divertimos muito!

“Não aprendi dizer adeus…”

Embora tenha sido apenas uma semana com a igreja e as irmãs, Deus nos abençoou e ficamos muito próximas. Um amor verdadeiro foi gerado em nossos corações.

As irmãs mostraram muito carinho comigo. Durante toda a festa eu ganhei muitos abraços, tiramos muuuuuuitas selfies e fotos. Elas também me deram presentes, o que me constrangeu, porque várias delas têm poucos recursos. Contudo eu não poderia ter a audácia de recusar essa generosidade, seria orgulhoso e ingrato da minha parte. Fiquei repetindo para mim mesma, “melhor coisa é dar do que receber” para me lembrar que, assim como eu amei fazer skincare nelas gratuitamente, agora elas tinham o direito de mostrarem a generosidade também.

“Não a nós, Senhor, não a nós…

mas ao teu nome dá glória“. O Salmo 115.1 gera muito temor no meu coração. Tenho cuidado de agradecer a generosidade e retornar a glória para Deus, “Obrigada, minha irmã, seu carinho é uma demonstração do amor de Deus! Eu só quis servir, mas aqui Deus me deu novas amigas, uma família e me mostrou o quanto vocês O amam, porque se alegram em compartilhar.”

Os templos budistas possuem tabela de preços segundo o serviço que prestam. Quem serve a Cristo aqui nessa cultura precisa estar constantemente antenado de não deixar no ar a ideia de que se possa comprar ou pagar pela graça de Deus. Igualmente, não podemos ser orgulhosos e rejeitar a generosidade de um povo que se sente grato.

Os abraços eu gostei. Já os presentes foram um desafio pro meu coração orgulhoso.

Testemunho

Por fim, quero deixar o post de uma irmã no Facebook da igreja falando sobre o evento. Que alegre o seu coração assim como alegrou o meu:

“Encerramento do projeto para valorizar a beleza através do amor pela missionária Anita, que viajou um longo caminho até  a Igreja Singharaja, Kalasin. Nos despedimos de Anita com uma festa de agradecimento.

Obrigada a Deus pela vida da Anita. Aqueles que vieram tiveram a oportunidade de receber cuidado de beleza através dela. Eu vi compartilhamento, cuidado e generosidade sem preconceitos. E ela ainda fez comida italiana [eu, Anita, creio que aqui ela quis dizer brasileira, mas trocou] para nós e ganhou muitos presentes.

Espero que Anita volte novamente, pois ela está nos deixando os mobiliários e produtos de beleza. As irmãs podem vir e receber tratamento gratuitamente.

Deus abençoe a Anita em sua viagem de volta, e que Deus permita que possamos recebê-la de novo.”

Foi isso, irmãos. Agora sim esse foi um relatório resumido, porém justo, das principais coisas que aconteceram na semana de 6–12 de janeiro de 2024 que servi o Reino de Deus em parceria com a Singharaja Church, em Kalasin, para a glória de Cristo.

Glória a Deus!

Um comentário em “Skincare na igreja em Kalasin

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  1. Que felicidade e encorajamento em Cristo ler o seu relato!! Que o Senhor mesmo afirme o ministério que separou para você, e que muitos frutos venham na sua vida e na vida daqueles que cruzarem o seu caminho

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